Recomendações DRAP para controlo da Drosófila de Asa Manchada (Drosophyla suzukii)

A partir do momento em que há nos pomares frutos (cerejas, framboesas, mirtilos…) em início de maturação, a drosófila manifesta preferência pelos frutos e não procura as armadilhas. Por isso, a *colocação das armadilhas apenas na época de maturação-colheita ou até um pouco antes tem reduzida eficácia*. Assim, recomenda-se a manutenção das armadilhas nos pomares, em bom funcionamento, de forma a capturar o maior número possível de drosófilas, mantendo as populações desta praga em níveis baixos.
A capacidade reprodutiva e dispersiva da praga é muito elevada e o facto de fazer as posturas nos frutos muito próximo da colheita limita a utilização da luta química, que só por si, não permite controlar a praga de forma eficaz. Para proteger a produção dos mirtilos é necessário por em prática todos os meios de luta disponíveis, para além da luta química.

A luta biotécnica (captura massiva) é mm meio de luta acessível e eficaz. Consiste na instalação nos pomares de armadilhas alimentares, capturando e destruindo uma grande quantidade de insetos que, assim, não irão causar danos nos frutos.
– As *armadilhas *podem ser específicas ou improvisadas. Devem colocar-se 90 por hectare. Podem fazer-se de vulgares garrafas ou garrafões de plástico, perfuradas no terço inferior, com 8 a 10 orifícios de cerca de 2mm a 5 mm de diâmetro.

Os meios atrativos a utilizar podem ser vários, como fermento de padeiro, açúcar e água ou vinagre de sidra e açúcar. No entanto, o que tem mostrado maior poder de atração é a mistura de vinho tinto, vinagre de sidra e açúcar, a que se devem juntar duas gotas de sabão líquido sem odor para quebrar a tensão superficial do líquido e permitir que as moscas se afundem e não possam ainda fugir. As armadilhas devem ser colocadas pelo menos um mês antes do início da colheita.

Outras medidas como:
– O desadensamento da copa, proporcionando uma melhor iluminação dos frutos;

– Manter a higiene dos pomares durante e depois da colheita, recolhendo todos os frutos atacados e caídos e destruindo-os;

– Encurtar o intervalo entre colheitas, colhendo os frutos o menos maduros possível; – Após a colheita, colocar os frutos de imediato no frio, em câmara frigorífica – as larvas dentro dos frutos morrem após 96 horas à temperatura de 1,6° C;

– Colher todos os frutos, não deixando restos por colher ou no chão, pois serão de certeza focos de infestação da praga;

– Terminada a colheita, deve-se permitir e incentivar a entrada das aves nos pomares, de forma a poderem consumir todos os frutos que possam ter ficado para trás e que já não têm interesse económico, contribuindo para reduzir a população de Drosophila suzukii. Nos pomares protegidos por redes antipássaro, estas devem ser abertas, para permitir a entrada das aves. Os dispositivos para afugentar as aves devem ser desativados, com o mesmo objetivo;

– Outra medida pós-colheita de combate à Drosophila suzukii é a limpeza cuidada das ervas infestantes e o corte dos enrelvamentos. Podem, eventualmente, fazer-se podas em verde. O objetivo é manter nos pomares uma atmosfera seca, que contraria a reprodução e o desenvolvimento da praga.

Fonte: Circular 15/2016 – Edição especial Mirtilo; Senhora da Hora, 05 de julho de 2016

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